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Título
COMPLICAÇÕES LOCAIS DE FERIDAS SUPERFICIAIS: A IMPORTÂNCIA DO GRAU DE ESCOLARIDADE DO PACIENTE
Aluno: André Luis Fernandes - PIBIC/Fundação Araucária - Curso de Medicina (MT) - Orientador: Flávio Daniel Saavedra Tomasich - Departamento de Cirurgia - Área de conhecimento: 40102009 - Palavras-chave: feridas; trauma; infecção - Colaborador: Ana Paula Chornobay, Rafael Werner Tschoeke.
O trauma tem significativo impacto econômico, sendo que 12% dos gastos mundiais relacionados à saúde se dirigem a ele. Além disso, ferimentos, ainda que leves como feridas cutâneas traumáticas, costumam ser responsáveis por afastamento do trabalho de pessoas economicamente ativas, uma vez que a população com maior incidência de lesões são homens jovens. Assim, o tratamento dessas feridas é de grande importância para a prática médica. Há diversos fatores relacionados ao paciente e ao médico que podem influenciar na cicatrização da ferida, evidenciando a relevância de compreendê-los e analisá-los rigorosamente. Estudo epidemiológico de um hospital de referência em atendimento ao trauma, identificando fatores de risco para complicações da cicatrização de feridas traumáticas submetidas à sutura. Análise prospectiva observacional e longitudinal. Os dados foram adquiridos através da avaliação macroscópica ao exame clínico descrita em prontuário e de dois questionários realizados no pronto-socorro de um hospital referência em trauma no estado do Paraná, sendo o primeiro preenchido no atendimento inicial e o segundo no retorno ambulatorial (intervalo de 5 a 11 dias). A análise foi baseada em deiscência dos pontos, necrose e infecção da ferida. Resultados: De 232 pacientes atendidos, 87 retornaram em até 11 dias. Acidentes de trabalho foram responsáveis por 50,4% dos atendimentos. Quanto às características dos pacientes, 81,5% eram homens, 41,8% tinham entre 18 e 30 anos e 28,9% eram trabalhadores da produção de bens e serviços industriais. Quanto às características da ferida, 73,3% foram atendidas antes de 4h e 86,7% menores do que 6 cm. Mãos e cabeça somaram 62,7% dos ferimentos. Houve necrose parcial em 19,5% dos ferimentos, infecção em 14,9%, e deiscência de pontos em 14,0%. Não encontramos complicações nas feridas em face. Em mãos, houve necrose parcial em 29,7% dos ferimentos, e em membros inferiores, 46,2% de infecção. Outra relação foi a taxa de 24,4% de infecção nos pacientes que estudaram no máximo até o ensino fundamental completo, comparada a 7,1% em pacientes com grau de escolaridade maior. Traçamos o perfil epidemiológico do trauma em um hospital de referência em atendimento de urgência/emergência. Confirmamos que em feridas na face há menores taxas de infecção e necrose e que em feridas nos membros inferiores há maiores taxas de infecção. Ainda, em feridas na mão houve maiores taxas de necrose. Por fim, encontramos uma relação entre baixo grau de escolaridade e aumento das taxas de infecção.