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Título
TRADIÇÃO E JUVENTUDE: UMA INVESTIGAÇÃO SOCIOLÓGICA SOBRE AS DINÂMICAS DA IDENTIDADE GAÚCHA
Aluno: Andressa Fontana Pires - PIBIC/CNPq - Curso de Ciências Sociais (M) - Orientador: Meryl Adelman - Departamento de Ciências Sociais - Área de conhecimento: 70207003 - Palavras-chave: juventude; tradição; gênero.
O tradicionalismo gaúcho como movimento organizado surgiu em fins da década de 40, em Porto Alegre, como iniciativa de estudantes que não almejavam escrever sobre a figura do gaúcho, mas a "recuperação" e a "preservação" dos costumes de um suposto passado rural. O Movimento Tradicionalista Gaúcho nasce, como um discurso que institui diversas práticas, que reais ou inventadas, são "revividas" dentro ou em torno dos espaços denominados CTGs. Orientado pelo mito do gaúcho histórico e aos moldes de uma comunidade simbólica, a cultura gaúcha promove uma série de normas que ditam maneiras de agir, pensar e sentir, ou seja, modos adequados de se viver como um "gaúcho de verdade". Como um fato social evidente, suas identidades acionadas preconizam discursos de gênero que ao tomarem o elemento masculino como central às suas tradições, localiza de forma binária suas prendas e peões. Neste sentido, o tema central desta pesquisa se refere às ressignificações do ideário de tradição vivido hoje, compartilhado e significado pelos jovens tradicionalistas. Rompendo com acepções dualistas, o que se defende é uma múltipla trama cultural, na qual costumes, ideias e práticas tidas como tradicionais, contemporâneas, pertencentes a meios urbanos e rurais se misturam, produzindo o que vem se chamando "culturas híbridas" (HALL, 2003). Ao elencar o "CTG Vinte de Setembro" como lócus de pesquisa, busca-se indagar como a população jovem vive as várias culturas que se fazem presentes no meio e que sentido dão às mesmas. Como um ambiente multigeracional frequentado por diversos públicos, os CTGs movimentam indivíduos os quais certamente atribuem significados distintos as suas participações. Os jovens, como atores decisivos neste contexto, contribuem para a organização deste espaço social e - correlato da hipótese acima sugerida - devem dar sentidos particulares às diversas práticas das quais partilham enquanto tradicionalistas, isso principalmente que no concerne às suas práticas de dança. Por meio de entrevistas, observação da rotina de ensaios e de momentos outros, almejou-se identificar questões relacionadas às construções de identidades, hábitos de consumo cultural e lazer, além de relações de sociabilidade demarcadas por classe e gênero. Com isso, procura-se investigar em que medida estes jovens priorizam o lazer no espaço do CTG, de que maneira se situam neste meio que se volta ao culto do tradicionalismo gaúcho, e ainda como tecem suas relações de sociabilidades tendo este espaço e ideários compartilhados como elo de vivências e experiências.