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Título
ANATOMIA DO LENHO CARBONIZADO DE ESPÉCIES FLORESTAIS

Aluno: Rayra Flávia Grando Borzi - PIBIC/CNPq - Curso de Engenharia Industrial Madeireira (MT) - Orientador: Graciela Inés Bolzon de Muñiz - Departamento de Ciências Florestais - Área de conhecimento: 50204017 - Palavras-chave: espectroscopia no infravermelho; discriminação de espécies; lenho carbonizado - Coorientador: Silvana Nigoski - Colaborador: Leticia da Silva Soler, Richard Molieken, André Simon.

O consumo do carvão vegetal no Brasil vem aumentando gradativamente e a utilização de madeiras proveniente de florestas plantadas para a produção é crescente. Porém, algumas espécies nativas e muitas vezes até ameaçadas de extinção são utilizadas. A carbonização da madeira permite burlar a fiscalização, pois após esse processo as propriedades organolépticas da madeira são perdidas, em todo caso a estrutura anatômica se conserva e estudo da anatomia da madeira pode auxiliar na identificação de espécies mesmo para amostras de carvão vegetal. Este trabalho teve como objetivo caracterizar anatomicamente o lenho carbonizado de cinco madeiras oriundas de Moçambique e verificar a possibilidade de identificação botânica dessas. As espécies Afzelia quanzensis, Amblygonocarpus andongensis, Combretum imberbe, Dalbergia melanoxylon e Khaya nyasica foram carbonizadas em forno mufla com a temperatura máxima de 450 °C durante 1 hora. As descrições anatômicas foram realizadas conforme as normas da AIWA (1989). Entre os resultados obtidos, a espécie Khaya nyasica apresentou porosidade difusa, vasos em arranjo disperso com agrupamento solitário múltiplos radiais, depósitos nos vasos e inclusões de minerais presentes. Combretum imberbe apresentou: camadas de crescimento distintas pelas faixas de parênquima axial, porosidade difusa, vasos em arranjo disperso, agrupamento solitário e múltiplo, placas de perfuração simples, pontoações intervasculares alternas, presença de tilos, raios unisseriados. A espécie Afzelia quanzensis apresentou camadas de crescimento distintas demarcadas por faixas de parênquima axial, vasos com porosidade difusa; solitários e múltiplos radiais, placas de perfuração simples e presença de tilos. Dalbergia melanoxylon, camadas de crescimento distintas demarcadas pela diferença da espessura das fibras, vasos com porosidade difusa e agrupamento exclusivamente solitário, tilos presentes, placas de perfuração simples; pontoações intervasculares alternas. Em Amblygonocarpus andongensis observou-se as camadas de crescimento distintas, demarcadas por faixas de parênquima marginal, vasos com porosidade difusa com agrupamento solitário, múltiplos radiais. Placas de perfuração simples; pontoações intervasculares alternadas. Parênquima axial paratraqueal vasicêntrico e faixas com mais de três células de largura. As amostras mantiveram as características anatômicas qualitativas da madeira, sendo possível a identificação das espécies.