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Título
ANÁLISE DENDROLÓGICA DE TRONCO E CASCA DE TRÊS ESPÉCIES DA TRIBO DALBERGIEAE (FABACEAE) EM UM REMANESCENTE DE FLORESTA OMBRÓFILA MISTA, CURITIBA - PR

Aluno Daniel Zambiazzi Miller - Pesquisa voluntária - Curso de Engenharia Florestal (MT) - Orientador: Christopher Thomas Blum - Departamento de Ciências Florestais - Área de conhecimento: 50201018 - Palavras-chave: dendrologia; machaerium; dalbergia.

A tribo Dalbergieae pertence à família Fabaceae, a terceira maior dentre as Angiospermas. Além da grande diversidade de espécies, o fato de não estarem férteis durante todo ano e a dificuldade de se coletar ramos em árvores de grande porte, são fatores que restringem a identificação em nível de espécie. Para tal, esse estudo teve como objetivo analisar e identificar padrões de fácil reconhecimento de tronco e casca de três espécies da tribo Dalbergieae: Machaerium brasiliense Vogel, M. stipitatum Vogel e Dalbergia brasiliensis Vogel. O estudo foi realizado em um remanescente de Floresta Ombrófila Mista Montana com 15,24 ha, no campus III da UFPR, em Curitiba. Para cada espécie foram selecionados nove indivíduos adultos, sadios, com porte e condicionantes ambientais semelhantes, abrangendo diâmetros de 10 - 20 cm. A caracterização macromorfológica de fuste, ritidoma e casca interna foi realizada com auxílio de ficha dendrológica. Para descrição da casca interna foi realizado um corte tangencial na porção inferior do fuste. Todas as espécies apresentaram predominância de troncos elípticos, tortuosos e de base digitada a dilatada. Outros aspectos constantes nas três espécies foram casca interna com aparência laminada, textura fibrosa, sem odor característico e alburno de coloração branca. Em D. brasiliensis 100% dos indivíduos apresentaram ritidoma fissurado, rápida oxidação da casca interna passando de amarelo para amarelo-alaranjado. Todos os indivíduos de Machaerium apresentaram oxidação da casca interna e exsudação incolor, que com o tempo adquiria coloração avermelhada. Em M. stipitatum o ritidoma é escamoso desprendendo placas longas de consistência papirácea (100%), podendo ser confundido com algumas espécies da família Myrtaceae. Já em M. brasiliense o ritidoma também é escamoso, mas com desprendimento em placas curtas e lenhosas. É possível diferenciar com facilidade as três espécies em campo, prioritariamente pelo aspecto do ritidoma e, de forma secundária, por características da casca interna. D. brasiliensis diferencia-se das demais por possuir ritidoma fissurado e casca interna com rápida oxidação amarelo-alaranjada, sem exsudação. As duas espécies de Machaerium apresentam casca interna relativamente similar, ambas com exsudação que passa de incolor a avermelhada, mas são diferenciadas pela forma de desprendimento do ritidoma, sendo que em M. stipitatum este se dá por lâminas longas e papiráceas, enquanto que em M. brasiliense desprendem-se placas mais curtas e de consistência lenhosa.