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Título
O PAPEL DOS MACROINVERTEBRADOS BENTÔNICOS NA DECOMPOSIÇÃO DO DETRITO FOLIAR EM UM RIACHO NEOTROPICAL
Aluno: Maria Júlia Giacomini - PIBIC/UFPR-TN - Curso de Ciências Biológicas - Gestão Ambiental - Palotina (MT) - Orientador: Yara Moretto - Departamento de Ciências Biológicas - Área de conhecimento: 20500009 - Palavras-chave: insetos aquáticos; vegetação ripária; decomposição.
O projeto teve como objetivos principais inventariar e avaliar a participação dos insetos aquáticos no processo de decomposição foliar em um ecossistema lótico neotropical, além de analisar sua relação com a sazonalidade. As coletas foram realizadas trimestralmente entre 2013 a 2014, em um córrego que passa pelo interior do Parque Estadual São Camilo. Foram selecionados 5 pontos de coleta, ao longo de um trecho de 100 metros do corpo aquático, com uma distância de 20 metros entre cada ponto. Em cada local de amostragem foram retiradas 4 amostras de sedimento, sendo 3 para a análise biológica e 1 para a determinação da textura granulométrica do sedimento, com um amostrador tipo Surber, para a determinação do aporte bentônico. Em cada ponto de coleta também foram instaladas 3 fileiras de baldes (com 6 baldes cada fileira), para a coleta das folhas que caíssem da vegetação do entorno do ponto de amostragem. Essas folhas foram identificadas ao nível de família e incubadas em "litter bags", por um período de 30 dias, para a colonização pelos insetos aquáticos. Os invertebrados, do aporte bentônico e das litter bags, foram triados, contados e identificados ao menor nível taxonômico possível para a interpretação e discussão dos resultados. A vegetação ripária foi composta pelas famílias Lauraceae, Rutaceae, Sapotaceae, Malvaceae e Myrtacea, as quais foram colonizadas pelos invertebrados por 30 dias. Nas "litter bags" observou-se que Chironomidae, Ephemeroptera e Trichoptera foram encontrados em maior predomínio. Esses táxons são comuns nos estudos relacionados à decomposição foliar, pois o hábito alimentar da maioria é detritívora e fragmentadora, o que favoreceu a colonização das folhas por estes organismos. A análise do aporte bentônico revelou que no inverno a abundância total de insetos foi de 7.975 ind.m2 sendo Chironomidae (5.075 ind.m2), Coleoptera (600 ind.m2) e Ephemeroptera (525 ind.m2) em maior abundância. Por outro lado, a maior abundância total foi observada no verão (8.171 ind.m2), destacando-se Chironomidae (5.063 ind.m2), Coleoptera (1.182 ind.m2) e Odonata (1.553 ind.m2). As altas temperaturas do verão facilitam a eclosão da maioria dos insetos, por esse motivo são encontrados com maior facilidade e abundância neste período. A riqueza de organismo no inverno foi maior que no verão, com 9 e 6 táxons, respectivamente. A maior riqueza no inverno provavelmente esteve relacionada à sazonalidade, pois neste período ocorrem menos chuvas e isso influencia na estabilidade dos ecossistemas aquáticos, promovendo uma melhor estruturação das comunidades.