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Título
CARACTERIZAÇÃO DO FENÓTIPO DE SENESCÊNCIA DE CÉLULAS DE GLIOMA HUMANO SUBMETIDAS AO TRATAMENTO COM HTF (HEXAHIDROXITRIFENILENO)

Aluno: José Lucas Malosti Teodoro Rodrigues - IC-Voluntária - Curso de Medicina (MT) - Orientador: Sheila Maria Brochado Winnischofer - Departamento de Bioquímica - Área de conhecimento: 20800002 - Palavras-chave: glioblastoma; hexahidroxitrifenileno; mecanismos antitumorais - Coorientador: Herbert Winnischofer - Colaborador: Otávio Martins Cruz.

A incidência mundial de tumores do Sistema Nervoso Central (SNC) é de 3,45/100.000/ano, sendo gliomas 40 a 60% desses tumores. Pacientes com glioblastoma, a neoplasia mais freqüente do SNC, tem uma taxa de sobrevida de 3 meses e quando o tratamento é otimizado (exérese parcial, radioterapia e quimioterapia adjuvante com Temozolamida (TMZ) atinge-se a média de um ano. Vários mecanismos de resistência à TMZ têm sido descritos, dentre eles destacam-se o envolvimento das vias de senescência, apoptose e autofagia. A compreensão dos mecanismos intracelulares que levam à evolução do tumor podem subsidiar alvos de ação de novos fármacos. Nesse contexto, o hexahidroxitrifenileno (HTF), um derivado de catecol com conhecida ação citotóxica em células de glioma, mostra-se promissor na busca por novas estratégias terapêuticas. Dessa forma, o objetivo deste trabalho foi avaliar o papel do HTF na modulação do fenótipo senescente de células da linhagem U87MG de glioblastoma humano. A viabilidade celular foi avaliada pelo método de MTT. Para detecção da senescência foi avaliada a atividade de b-galactosidase associada à senescencia. A análise foi complementada com a avaliação da proteína LC3, principal marcador do processo autofágico, realizada pela técnica de western-blotting. As concentrações de HTF utilizadas nos experimentos foram de 10µM e 25µM nos tempos de 12, 24 e 48 horas. No tempo de 12 horas de tratamento o HTF não apresentou efeito citotóxico, entretanto a partir de 24 horas o composto mostrou-se eficiente na diminuição da viabilidade das células U87MG de forma dose-dependente e em 48 horas houve uma diminuição da viabilidade de aproximadamente 40% e 50% para as concentrações de 10µM e 25µM respectivamente. A avaliação da senescência mostrou que o HTF não modula esse processo em nenhum dos tempos e concentrações utilizados. Adicionalmente, ensaios para a detecção da proteína LC3 foram realizados. Observou-se que no tempo de 12 horas o HTF não modula a expressão dessa proteína, porém, a partir de 24 horas o composto promove a diminuição significativa da expressão de LC3 na concentração de 25µM. No tempo de 48 horas essa diminuição é ainda mais pronunciada. Em conjunto, os resultados apontam que a inibição do processo autofágico está envolvida no mecanismo de indução de morte mediado por HTF em modelo de glioblastoma humano, dado que vai ao encontro de estudos que apontam o processo autofágico como fator de promoção tumoral.