0090
Título
DESENVOLVIMENTO GONADAL DA ESPÉCIE EXÓTICA OPSANUS BETA (TELEOSTEI - BATRACHOIDIDAE) NO COMPLEXO ESTUARINO DE PARANAGUÁ, PARANÁ, BRASIL
Aluno: Anankha Viana Salvalaggio - PIBIC/UFPR-TN - Curso de Ciências Biológicas (M) - Orientador: Luís Fernando Fávaro - Departamento de Biologia Celular - Área de conhecimento: 20100000 - Palavras-chave: histologia; táticas reprodutivas; recursos alimentares.
O presente trabalho foi realizado no complexo estuarino de Paranaguá, com o objetivo de caracterizar a biologia reprodutiva e alimentar da espécie exótica Opsanus beta. As coletas foram realizadas mensalmente no período de out/2011 a set/2012, utilizando espinhéis para a captura. Foram coletados 447 exemplares, sendo 147 fêmeas e 300 machos. De cada exemplar foram tomados os dados morfométricos (comprimento e peso totais), sendo as gônadas retiradas, pesadas e algumas destinadas ao processamento histológico. O trato digestório foi retirado para análise do conteúdo. Através da análise histológica das gônadas foram caracterizados quatro estádios de desenvolvimento ovarianos e cinco estádios de desenvolvimento testicular. Através das análises da distribuição dos valores individuais do IGS, da curva de maturação, da distribuição da frequência percentual dos estádios de desenvolvimento gonadal, foi observada a ocorrência do processo reprodutivo durante todo o ano, com uma intensa reprodução na primavera, pra ambos os sexos. A desova do tipo parcelada foi caracterizada histologicamente pela presença de gônadas semidesovadas e semiesgotadas. O comprimento de 1ª maturação para os machos foi de 13,29cm, não sendo determinado para fêmeas, por não terem sido obtidas fêmeas imaturas. Através das análises do conteúdo alimentar, a dieta mostrou-se diversificada, sendo representada por 34 itens alimentares, distribuídos por sete grupos principais de organismos. De acordo com o Ìndice de Importância Relativa, os cinco principais itens alimentares foram: Thais mariae, Acantholobulus schmitti, Anomura não identificados, restos de Bivalves e Panopeidae não identificados. Para a análise ontogenética, o comprimento total dos indivíduos analisados variou de 5,8cm a 31,2cm, sendo distribuídos em dez classes de comprimento. A análise do NMDS evidenciou a formação de três grupos, A, B e C, além das classes V e X de comprimento que se mantiveram isoladas. O grupo A (classes I e II) apresentou Anomura não identificado como principal item alimentar, o grupo B (classes III e IV) teve Panopeidae não identificado como principal item alimentar e o grupo C (VI VII VIII e IX) apresentou Thais marie como principal item. Nossos resultados indicam que a espécie tem grandes possibilidades de se tornar invasora, pelas táticas reprodutivas utilizadas: reprodução ocorrendo ao longo de todo o ano e o comprimento de 1ª maturação reduzido. Ainda, a caracterização de uma dieta diversificada favorece a espécie a se estabelecer no ambiente, com possibilidades de se tornar uma espécie invasora.