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Título: Qualidade de vida de familiares que perderam entes queridos nas unidades de urgência e emergência, um ano após o óbito
Programa ao qual é vinculado: O luto e suas interfaces
Coordenador: Tania Madureira Dallalana
Vice-coordenador: Maria Virginia Filomena Cremasco
E-mail: t.dalla@uol.com.br
Setor do coordenador: Setor de Ciências da Saúde
Docentes participantes: Maria Virginia Filomena Cremasco
Técnicos administrativos participantes: Tania Madureira Dallalana
Alunos Bolsistas: não se aplica
Alunos Voluntários: Lais Valerio Gabriel
Área temática: Saúde
Resumo:
A concepção de morte é inerente à existência humana envolvendo experiências, histórias de vida e vivências de cada indivíduo numa dada cultura. Assim, os significados e sentidos atribuídos à morte são multidimensionais. A morte, e consequentemente as manifestações de luto, caracterizam temas complexos e multidisciplinares, sendo alvo de pesquisas e artigos na atualidade (BARBOSA, MELCHIORI & NEME, 2011). O luto pode ser caracterizado como um conjunto de expressão dos sentimentos decorrentes da perda, na qual a morte deve ser tornada real, e pode ser demonstrado por choque, desejo, desorganização e organização; fazendo parte da saúde emocional. Envolve uma sucessão de quadros clínicos que se mesclam e substituem gradualmente no tempo (OLIVEIRA & LOPES, 2008). As Unidades de Urgência e Emergência (UTI, CTSI, Pronto Atendimento de Observação e Pronto Atendimento Adulto) concentram um grande número de pacientes que evoluem a óbito, e a morte desses pacientes pode causar um impacto e ameaçar a organização de sua família (KOVÁCS, 2008). As manifestações de luto, quando não compreendidas e vivenciadas de formas inerentes, podem tornar-se complicadoras, revelando-se através de sintomas físicos e emocionais (KOVÁCS, 2008). Alguns sintomas tais como depressão, insônia, anorexia, uso de álcool e drogas, antes avaliados como patologias, atualmente são percebidos e compreendidos como manifestações do processo de enfrentamento da morte. Diante de perdas significativas, a pessoa em processo de luto se depara com uma nova situação na qual sua estrutura de vida e rotina são modificadas, e a busca por novos sentidos e significados torna-se inerente para a continuação da vida (PARKES, 1987 apud KOVÁCS, 2008). A relevância e as diversas reações de enlutamento correlacionam-se com o significado do falecido no sistema familiar, e dependente da relação entre o familiar e o falecido, assim, a morte é percebida de modo diferente por uma mãe, pai, irmão, cônjuge, avós ou filhos (KOVÁCS, 2008; LABATE & BARROS, 2006). Ressaltando que não há uma maneira certa ou melhor de vivenciar o processo do luto, sendo variável para cada um (BROWN, 2011 apud LABATE & BARROS, 2006). A perda de um ente querido deve ser considerada no âmbito familiar, ressaltando o significado e representação da morte será diferente para cada um dos membros da família (LABATE & BARROS, 2006). O impacto da morte sobre o equilíbrio funcional do sistema familiar relaciona-se com o nível de integração emocional da família no momento de perda (BOUSSO, 2008). A família é um sistema no qual seus membros se relacionam de forma a assumir papéis com determinadas funções, que se organiza a partir de regras, em sua maior parte subjetiva (BOUSSO, 2008). Assim, após o óbito de um dos familiares, a família se depara com uma nova vivência no qual o próprio sentido da existência é resignificado, e as atitudes frente à morte, que variam de família para família, podem seguir para um caminho de mais ou menos sofrimento (KOVÁCS, 2008). Considerando a família como um sistema, a morte pode ocasionar modificações nas estruturas e rotinas, pois no sistema familiar existe um equilíbrio homeostático, e a perda de um familiar pode ocasionar em desequilíbrio deste sistema, gerando desconforto em diferentes níveis. Assim, o luto na família pode fazer com que se torne necessária uma reorganização familiar, envolvendo troca de papéis, mudanças de regras e limites, retomadas de decisões (BOUSSO, 2008). O impacto da perda na família pode gerar uma crise por conta da necessidade de os seus membros continuarem desempenhando os diversos papéis, com a sobrecarga do luto dos demais elementos da família, agravada pelas reações próprias da sintomatologia do luto individual. Tal crise deverá ser enfrentada para que uma reorganização do sistema familiar possa ocorrer, implicando na edificação de uma nova identidade (BROMBERG, 1997 apud LABATE & BARROS, 2006). O contexto no qual ocorre o luto pode dificultar este processo quando não é acolhedor para a expressão de sentimentos inerentes à situação (BROMBERG, 1997 apud LABATE & BARROS, 2006). Neste sentido, parece que um ambiente no qual exista um canal franco de comunicação pode auxiliar na reorganização da experiência de perda e na configuração de novos sentidos (LABATE & BARROS, 2006). Segundo Doherty e Scannell- Desch (2008 apud BARBOSA, MELCHIORI & NEME, 2011) mulheres que vivenciaram o luto do cônjuge no período da gravidez podem perceber-se vulneráveis, apresentar negação da realidade, sentimentos de solidão e abandono e procurar apoio na rede familiar e social. Evans (2001 apud BARBOSA, MELCHIORI & NEME, 2011) afirma que idosas viúvas, com idade entre 70 e 88 anos, podem apresentar transformações de habilidades físicas, energia e saúde após a perda do esposo ou também de outras pessoas queridas. Durante a vivência do luto, estas podem desenvolver um significado da vida a partir das relações estabelecidas com o círculo social (família, amigos, trabalhos voluntários) e também com o falecido por meio de lembranças, fotografias e rituais espirituais, além das características e atributos pessoais, das dúvidas quanto ao futuro, percepção da idade, crenças acerca da vida, e condições gerais de saúde. Alguns indivíduos enlutados, após três meses da perda seja do(a) noivo(a), esposo(a) ou filho(a), apresentaram efeitos em sua saúde mental e física, envolvendo profundas dores emocionais e físicas que as afetam em suas vidas cotidianas, o que em alguns casos podem gerar depressão e ideações suicidas. (DOUGLAS, 2004 apud BARBOSA, MELCHIORI & NEME, 2011). O idoso, por estar em uma fase do desenvolvimento humano estigmatizada como inválida ou condescende, pode sofrer um grande impacto no processo do luto. Assim, o idoso enlutado pode apresentar rebaixamento da autoestima; empobrecimento do ego; distúrbios do sono e da alimentação; manifestações somáticas como falta de ar, aperto no peito, falta de energia; passividade; alucinações; quadro depressivo; ansiedade; refúgio no alcoolismo e isolamento social. Ao vivenciar o aniversário de morte do filho ou cônjuge, podem ocorrer sintomas de pânico, boca seca e outras indicações da atividade do sistema nervoso autônomo relacionadas ao período de dor (OLIVEIRA & LOPES, 2008). Assim, devido ao impacto da morte no sistema familiar faz-se imprescindível um estudo sobre o índice da qualidade de vida dos familiares próximos dos pacientes que evoluíram a óbito. Segundo LANDEIRO et. al. (2011) no período de janeiro de 2001 a dezembro de 2006 foram publicados 314 artigos sobre a temática qualidade de vida, com crescimento de 32,4% de 2001 para 2006. Quanto à categoria de estudo os artigos abordavam aplicação de instrumento, estudo qualitativo, revisão bibliográfica, e conceito de qualidade de vida. Conclui-se que houve uma produção científica relevante no período estudado, com diversificação de abordagens e metodologias, privilegiando a complexidade dessa temática. O termo e o conceito de qualidade de vida (QV) surgiram com o crescimento e o desenvolvimento econômico ocorridos após a Segunda Guerra Mundial, embora alguns estudos apontem indícios do termo na década de 30. No Brasil, esse conceito começou a ser aplicado a partir de 1970, primeiramente circunscrito às práticas dos serviços de saúde e, com o advento da Constituição de 1988 e com a consequente criação do SUS, o foco da QV passou a se dirigir para os pacientes, principalmente os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) (LANDEIRO et.
Palavras-chave: luto-qualidade de vida - familiar - urgencia emergencia.