ETNO-FITOS: INTEGRAÇÃO ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO

Nome do Coordenador: Luiz Everson Da Silva
Setor do Coordenador: Setor Litoral
Departamento do Coordenador: Licenciatura em Ciências
Nome do Vice-Coordenador:

Alunos Bolsistas: Alzino José Maria Neto
Alunos Voluntários:
Docentes Participantes:
Técnicos Participantes:
Participantes Externos: Vilamari Adamosky
Área Temática: Meio Ambiente
Palavras-chave: Etnobotânica, plantas medicinais, etnoconhecimento

O contato de povos tradicionais com outras culturas por diversas formas tem acarretado a perda da identidade, além da dissipação do conhecimento tradicional por parte dos mais velhos em detrimento do repasse às gerações futuras. Estudos evidenciam que o contato de comunidades tradicionais com formas modernas de comunicação tem acarretado na perda da transmissão oral e com isso todo um significado histórico de saberes e tradição está presente apenas na memória dos mais velhos. Neste contexto o saber oriundo do uso de plantas medicinais constitui-se numa prática efetiva e única em função das condições objetivas de vida de várias comunidades. Neste trabalho realizou-se uma investigação etnobotânica na região de Matinhos no Litoral do Paraná acerca do conhecimento e da percepção dos recursos vegetais existentes, buscando compreender quais as relações estabelecidas entre os moradores e o fragmento florestal, de forma a sistematizar o conhecimento popular de espécies medicinais sua relação com o uso terapêutico. Dez informantes foram entrevistados sobre seus conhecimentos das espécies medicinais residentes nas comunidades rurais e nos bairros do município. A pesquisa revelou o uso de 80 espécies medicinais pertencentes a 48 famílias dentre as quais Lamiaceae foi a mais citada. A principal parte utilizada na preparação dos chás é a folha e a preparação mais comum é a infusão. A área de estudo, Matinhos – PR situa-se a 25°49'04" de latitude e 48°32'34" de longitude. Antiga terra habitada pelos Carijós é um município do litoral paranaense situada a 111 km de Curitiba. Privilegiada por uma geografia diversificada, a qual compreende parte do maciço montanhoso da Serra da Prata e amplas áreas da planície costeira da Praia de Leste. Os dados foram coletas entre novembro de 2011 e fevereiro de 2012. Dez informantes de ambos os sexos, de idade variando de 41 a 84 anos de idade, escolhidos por consulta previa foram entrevistados sobre seus conhecimentos das espécies medicinais residentes nas comunidades rurais e nos bairros do município. Todos os entrevistados demonstram conhecimento sobre as plantas medicinais e relatam que este provém de gerações passadas. De acordo com estudos prévios, a principal forma de transmissão de conhecimento nas sociedades tradicionais é a verbal, e a transmissão entre gerações requer contato intenso entre os membros mais jovens e mais velhos da comunidade. Neste estudo 03 dos entrevistados eram homens e 07 mulheres. As enfermidades mais comuns na qual as plantas são utilizadas relacionam-se com processos respiratórios, inflamações e cicatrizações, ansiedade e dores estomacais. Isto pode ser relacionado com a posição geográfica do município que apresenta um clima sub-tropical com temperatura média anual de 19,5 °C e chuvas constantes durante todo o ano. Os processos inflamatórios relacionam-se também com dores de garganta e o uso nas cicatrizações estão associadas com cortes oriundos de atividades pesqueiras que tradicionalmente identificam a região.

 

Protocolo: 1586
Registro PROEC: 658/11